Burlando Regras

Aqui não tem regras... Aqui tudo é permitido... o Estado aqui não existe... Aqui você pode... Entre e fique a vontade para burlar as regras impostas pela sociedade, pela igreja, pelo Estado, pelo Poder... Fique a vontade também para dar pitecos sobre filosofia, música, sociologia, ciência, política, comunicação e sobre a vida...

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Nome: Norma Leitte
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Uma Guerreira que adora Filosofia, Política, Musica e demais paixões!

Terça-feira, Outubro 31, 2006

Para todo aquele que tem um pouco do José, de Carlos Drumond de Andrade

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Esse poema é fantástico. Sempre que o leio tenho a impressão de ser a primeira vez pelo impacto que causa.



Eduardo Marinho.

06 Fevereiro, 2007 00:43  

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