Primeiro segue a velha desculpa pelo tempo sem postar nada nesse espaço
Começo falando um pouco da experiência que tive em Crixás-Go, cidade onde ha cerca de 10 dias estive produzindo um documentário para o Programa Basil Cerrado. Como todo município que conheço sempre fico encantada pela sua história, comentando isso com meu amigo Wellington ele chegou a sugeri que eu deveria deixar a minha pós em Ciência Política e fazer turismo, mas acho que não é por ai.
Crixás é uma cidade boa, mas não gostaria de viver ali, sou muito urbana e me sinto bem com o estresse provocado pela cidade grande, trânsito congestionado, distância de um local para o outro, dificuldade em conhecer todo mundo da cidade, violência, e por ai vai...
Mas Crixás tem coisas bonitas que não vemos aqui, como suas reservas ambientais. São cachoeiras sobre pedras, locais convidativos para um acampamento, uma pesca, e até para namorar (ai como deu vontade de namorar nessas cachoeiras, rs)
Em Crixás tive o privilégio de conhecer duas realidades da exploração do ouro, a Lavra e a Mineiração Serra Grande.
É, a cidade de Crixás nasceu do ouro e esse minério é a principal fonte de economia do município até hoje.
A Lavra é o garimpo que no passado atraiu gente de toda parte do país e de fora, o local chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas, dizem que lá era difícil até de se transitar devido ao número de gente. Hoje a Lavra ainda existe, só que, atualmente, cerca de 60 famílias sobrevivem desse garimpo, em condições de trabalho que mereciam uma visita das autoridades competentes como Delegacia do Trabalho e de órgãos que cuidam do meio ambiente. o garimpo esta acabando com as reservas naturais e plantas nativas da região e as pessoas que ali trabalham colocam suas vidas em risco, em troca de pouco mais que um kilo de ouro, que é a produção mensal. Vale ressaltar que essa produção é "rateada", ou seja o lucro do garimpeiro é para uma sobrevivência quase que desumana. Mas vi que na Lavra muitos garimpeiros não saem de lá, por que acreditam na riqueza por meio do ouro, e outros por não terem condições de deixar o local....enquanto isso o país cresce, e aquele povo se fecha num mundo de pobreza e ilusão.
Do outro lado da cidade tem a Mineração Serra Grande, essa é de uma multinacional como as exploradoras de minério no pais. Ali são usadas técnicas modernas na exploração do ouro e pelo menos até onde constatei, os critérios de segurança são respeitados ( cheguei a 150 metros da superficíe da terra). Todo o aparato usado na exploração do ouro me fez entender o porque esse minério é tão caro. Mas não gostei de ver a perfuradeira, explorando aquelas rochas em busca do minério... achei uma agressão muito grande ao meio ambiente e uma ganância incontestável da humanidade, sei que viajei naquele momento....
Mas não posso deixar de falar em Crixás sem citar, a filosofia de vida que encontrei ali, como tia Eula, deficiente visual, 73 anos de idade, e que faz lindos trabalhos artesanais e nos recebeu com uma alegria nos olhos e um sorriso verdadeiro. Outra figurança em Crixás é o Tiquim, chamo-o assim porque é assim que todos o conhecem ali, e olha que ele foi um dos primeiros prefeitos da cidade.
Tiquim tem 76 anos de idade, nunca fumou e nem bebeu, é uma vitalidade. Agora o encantador em Tiquim é seu carisma, ele é mais que um pioneiro, é um verdadeiro anfitrião que abriu as portas da cidade para nossa equipe, e contou com propriedade toda a história de Crixás.
De tudo que vi em Crixás, Tiquim com certeza não vai sair da minha memória, dele vou guardar o grande ensinamento: o sorriso e o carisma para com o próximo.